Archive for Novembro 2009
Mas é que as coisas passam…
Eu e o Vini conhecemos a Bia de Luna em um dos nossos primeiros encontros lá no Café e Cultura em Curitiba.
O relacionamento com ele acabou, e se tornou uma das amizades mais puramente fraternais que eu tenho. A Bia de Luna morreu, o café fechou e eu não moro mais em Curitba.
Todos esses finais se explicam perfeitamente com: nada resiste ao tempo e ao acaso. E podem ser resumidos em: as coisas passam.
E é engraçado eu lembrar tanto da Bia nesses últimos dias. Parece-me que a figura dela é uma concisão de Curitiba que paira no meu inconsciente. Taciturna, fechada, louca, birlhante, fálica, refinada, finada.
“…porque todos nos encontraremos nas incertezas do subsolo…”
E a poesia da moça dos óculos pintados me faz lembrar das ruas molhadas iluminadas com luz quente no centro da cidade. Ruas essas que elevam a dramaticidade de qualquer encontro casual. Os bares subterrâneos, as casas sempre fechadas com pessoas fechadas dentro, uma feira alegre e colorida aos domingos, a cidade fantasma.
Os termômetros registram 35º graus em Brasília e mesmo assim as vezes eu sinto falta de quatro cobertas pesadas, da sensação térmica de -14º e o vento com aquela voz mais grossa.
Mas é que as coisas passam. E quem não aprende isso é que fica pra trás.