Archive for Abril 2007
4 pontos ponderantes…
1 - Marcelo é um estudante universitário que vive em um buraco existencial não menos confuso e sujo que seu quartinho de empregadas emprestado.
2 – Fora a edição que tem cortes semelhantes aos feitos pela censura, o filme traz uma estranha, porém esperada sensação de que nada mudou.
3 – Há alguns dias a moça do brechó disse que eu me parecia com a Bel Kutner, filha de Paulo José. Isso me remeteu ao filme que ele fez em 1968. Acabei descobrindo que eu sou mesmo é parecida com o Marcelo.
4 – A Lilian Lemmertz aparece com uns cinco anos de idade durante cinco minutos ou nem isso.
Elemento vazado
Atrás daquelas simples formas geométricas, complicados formatos relacionais quebravam-se
Por entre aqueles buracos ele podia ver o corpo em formas adolescentes e a água do chuveiro enxugando algumas lágrimas. E num dia frio ele a observa novamente. Ela tira algumas peças de roupa e a roupa íntima. Conversa com o espelho e espreme espinhas. Estimula-se, forjando um prazer até então desconhecido. Isso causa rubor e rigidez. Já o que causa susto é a entrada de um homem. Ele vê naquele todas as suas características. Cabelo, roupas, estatura e se não está enganado, até o mesmo cheiro. De fato tratava-se de um outro dele no outro lado.
Ele a abraça da cintura para baixo com um orgulho malicioso estampado no rosto velho e feio. A moça tira um vidro de perfume do armário e começa a cheirá-lo dizendo que aquele aroma a faz lembrar o abandono. Ao enrolar-se na toalha, reclama uma proteção inexistente e diz como foi difícil viver só com aquele poedaço de pano nos invernos mais rigorosos. Ela apresenta o homem ao espelho e chora feliz, dizendo que as semelhanças (pela consangüinidade) são apenas físicas. Ao final dessas palavras, de súbito, eleva sua mão à cabeça dele. Com um empurrão o espreme contra o espelho e antes de esfaqueá-lo mostra todas as suas feridas. Nos seios, nas pernas e os nervos do rosto quase não funcionam. Ela diz não ter motivos para viver, mas prefere matá-lo. E o faz.
Atrás dos buracos ele ainda observa a saída da assassina e também sua própria agonia do outro lado. O sangue frio e ralo não chega ao ralo, antes, espalha-se, e é este mesmo que lavará a dor de cada partícula que está no ar. Ela sai com a certeza de que fez tudo.
Matou quem estava dentro e também quem estava fora.
Torre de névoa
Subi ao alto, à minha Torre esguia,
Feita de fumo, névoas, e luar,
E pus-me, comovida, a conversar
Com os poetas mortos, todo dia.
Florbela Espanca
A jornada da alma
O que vale a pena ler
“Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta; caso contrário, estarei reduzido à resposta que o mundo me der.”
Memórias, Sonhos e Reflexões
Autobiografia de C. G. Jung
E dá-lhe conflito
Há uma matéria muito boa neste link, mas o melhor mesmo é ficar pasmo com a “dinâmica familiar sistêmica” muitíssimo bem exposta no filme.


