Archive for Março 2007
Temos a honra de apresentar
“O Diário da Mente Absorta “
Entrevista com roteiristas do curta-metragem “O Diário da Mente Absorta”, Vinícius Sgarbe, Emanuel Menim e Dudson Seraine.
VOX COMUNICAÇÃO INTELIGENTE
PRODUÇÃO Gabrielle Seraine
DIREÇÃO Ata Hostin
REPORTAGEM Cidney Surdi Junior
EDIÇÃO Carlos Ribeiro
Pop bom I
Por Eddie Schäfer
Frou Frou é um projeto do produtor Guy Sigsworth (que já trabalhou com nomes como Björk e Madonna) junto à cantora/compositora Imogen Heap.
Os dois, que já haviam trabalhado no excelente disco de estréia de Heap (I Megaphone), apostam em uma nova proposta musical. Tornam-se responsáveis não apenas pelas composições de Details, mas também por suas melodias. Misturando trip-hop e pop, criam um som contemporâneo que apresenta instrumentos de corda, efeitos eletrônicos, drum & bass – isso tudo conduzido juntamente a voz sensual de Imogen.
A primeira faixa do disco (“Let Go”) é uma mistura de elementos eletrônicos, arranjos de cordas e teclados com sobreposição de voz. Definir como uma balada eletrônica, não seria o suficiente.
“Breathe In”, o primeiro single, apresenta claramente a linha na qual o disco seguirá numa letra em que a questão do relacionamento está em jogo. Ao longo do trabalho, alguns arranjos ficam mais simplicados, porém sem perder o brilhantismo, como é o caso de canções como: “It´s Good to Be in Love” e “Maddening Shroud”.
“Must Be Dreaming” tem uma batida constante acompanhada de um violão. Seu refrão é repleto de empolgação, numa letra em que a cantora pede para ser acordada, caso tudo o que ela estiver vivenciando/sentindo for apenas um sonho. Enquanto isso, o piano de poucas notas de “The Dumbing Down Of Love” funciona como um duelo entre o instrumento e os efeitos criados por Sigsworth, completam-se aqui em frases como: “Music is worthless, unless it can / Make a complete stranger / Break down and cry / And if I tell you / Lover alone without love”.
Em algumas faixas, fica claro a influência do trabalho de Björk em Details, porém são conceitos bem diferentes que estão em questão – além de que a islandesa é uma artista muito mais madura do que a dupla. As letras aqui trazem um pouco de angústia com pitadas de humor e desilusões amorosas.
Rubaiyat
Escuta, isto ninguém te contou:
Quando a primeira alba clareou o mundo,
Adão já era uma criatura dolorosa,
que pedia a noite, ansiava a morte.
Tracy Chapman, 42. Engajada, guitarrista e talentosa.
Dos bares para os bares
Pseudo hai kai
Um curtinha importante
Gravando o áudio de um curta, nossa mais recente produção (ainda explico quem faz parte do “nossa”), sobre Lyz e seu universo conciso, deparo-me com esse sujeito pouco intimidador, simpático e até então desconhecido. Pra quem se diz cantora é indesculpável tal fato, embora isso não tenha tornado o encontro menos agradável. É, encontrei Waltel Branco num sábado comum. Só em Curitiba mesmo.
Se você não sabe quem é, veja aqui.
Em breve, nos tribunais…
Ok. Eu não gosto da revista veja, mas vale a pena dar uma lidinha.
TCU põe em xeque as contas de 52 projetos feitos com incentivo fiscal. A maioria jamais chegará às telas
Marcelo Bortoloti
Camila Pitanga em Supercolosso: Guga de Oliveira não prestou contas
Os atores e cineastas Guilherme Fontes e Norma Bengell são símbolos da malversação do dinheiro público no cinema nacional. A história de ambos é velha conhecida. Fontes começou a captar recursos públicos para produzir o longa Chatô, o Rei do Brasil, em 1995. Hoje, quase doze anos depois, e tendo consumido o equivalente a 27 milhões de reais, não entregou obra alguma. Norma Bengell até concluiu O Guarani, mas foi denunciada por desviar dinheiro da produção e agora está sendo obrigada a devolvê-lo. À sombra desses casos notórios, no entanto, sobram exemplos de irregularidades. Uma análise dos projetos em andamento na Ancine, a agência responsável pela aprovação dos projetos de captação, mostra que existem 52 casos semelhantes no Tribunal de Contas da União (TCU). São projetos aprovados entre 1995 e 2002 cujos realizadores nunca conseguiram concluir o filme ou fizeram mau uso do dinheiro. Em valores atuais, a aventura representa um desperdício de 120 milhões de reais dos cofres públicos, ou 12% de todo o dinheiro captado no período.
Exemplo emblemático é o do produtor Renato Bulcão, ex-diretor de marketing da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura. Somente ele tem quinze projetos irregulares sendo julgados pelo TCU. São longas-metragens, curtas e documentários que, segundo os autos do processo, nunca foram concluídos. Entre 1995 e 1999, Bulcão captou 6,3 milhões de reais para esses filmes, o que em valores corrigidos daria 25 milhões de reais. É muito dinheiro. O filme A Grande Família, atualmente em cartaz, teve orçamento de 5 milhões de reais. Um dos maiores sucessos nacionais de bilheteria, 2 Filhos de Francisco, custou 9 milhões de reais. Bulcão argumenta que quase todos já foram filmados ou estão prontos. Mas até hoje, cerca de uma década depois, nenhum deles foi devidamente entregue à Ancine.
Entre os produtores acometidos pelo que, no meio cinematográfico, ficou conhecido como “síndrome de Guilherme Fontes” estão também Bruno Stroppiana, produtor dos filmes O Xangô de Baker Street e Tieta do Agreste, Leilany Fernandes, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica, e os diretores Guga de Oliveira e Neville D’Almeida por filmes já concluídos mas sem as contas aprovadas. O próprio Fontes engrossa a lista com dois projetos irregulares: Chatô e o filme 500 Anos de História do Brasil, que recebeu investimentos mas também nunca saiu do papel. O mesmo vale para Norma Bengell, que, além do deslize em O Guarani, é investigada pelo filme Norma, uma biografia dela própria cuja cor até agora ninguém viu.
As leis de incentivo surgiram na década de 90. No caso do cinema, empresas passaram a ter a opção de doar até 4% do seu imposto devido para a realização de um filme cujo projeto tivesse sido aprovado pelo Ministério da Cultura. Foi um avanço em relação à Embrafilme, estatal que antes financiava diretamente o cinema brasileiro, extinta no governo Collor. Entretanto, a falta de controle do ministério, somada à incompetência, ao descaso ou mesmo à má-fé dos produtores, deu margem à proliferação de irregularidades. O problema é antigo e não dá sinais de melhora. O TCU realizou uma auditoria na Ancine em 2004 e descobriu uma série de buracos no sistema de aprovação e acompanhamento dos projetos. “Não há critérios suficientes para a aprovação, como análises de viabilidade técnica e comercial, fundamentais para atingir os objetivos estratégicos da agência”, informa o relatório. E em outro trecho: “A fiscalização da execução dos projetos é frágil. Não há rotina de acompanhamento financeiro”.
Os casos de desperdício se parecem. O catarinense Gilberto Nunes, 60 anos, conseguiu em 1995 aprovar o projeto do seu primeiro longa-metragem, Atrás do Vento, para o qual captou 2,5 milhões de reais, o equivalente hoje a 8 milhões. “Houve uma desvalorização da moeda no período, e da noite para o dia aquele dinheiro virou a metade. Não dava mais para fazer o filme”, diz Gilberto, que gastou tudo com a pré-produção e agora não tem dinheiro para concluir. A cineasta Leilany Fernandes caiu no mesmo erro. Em 1997 teve aprovado o longa Maria Moura, para o qual conseguiu captar 1,1 milhão de reais. Não era o suficiente, mas ela decidiu iniciar as gravações assim mesmo. Só deu para filmar a metade. “Tive problemas na família depois disso e fui obrigada a deixar o projeto de lado. Agora estou presa pela burocracia”, lamenta a diretora, que hoje ganha a vida dando aulas de ioga. Mesmo produtores experientes já fizeram barbeiragens na hora de lidar com dinheiro público. O produtor Bruno Stroppiana, que tem mais de quarenta filmes no currículo, está com três projetos inacabados em julgamento no TCU. São os filmes Confissões de Adolescente, Alice in Rio e Minas Gerais, Peito de Ferro, Coração de Ouro, cujas propostas foram aprovadas há mais de dez anos e para os quais ele captou o equivalente hoje a 11 milhões de reais. Enquanto isso, a máquina do cinema nacional não pára de rodar. A Ancine aprova cerca de 200 projetos por ano, e leva quatro anos em média para descobrir se o dinheiro foi para o ralo ou não. Ou seja, os brasileiros podem aguardar a estréia de novos filmes, em breve, nos tribunais. Na maioria dos casos, o espectador não perde nada por esses filmes não chegarem a ser exibidos. Mas o contribuinte perde.
WE HATE THE QUEEN
Algumas coisas são inevitáveis já outras também
De Vinícius Sgarbe e Gabrielle Seraine
Texto publicado em fev/04, mas creio que foi feito para o dia de hoje.
Cuidou a vida inteira da saúde. Privou-se das bebidas fermentadas, das cigarrilhas que até lhe agradavam o paladar, comia arroz integral e por fim decidiu-se pela dieta macrobiótica. E isso para sua saúde mental e também para o desespero dos membros da família, a quem afirmava convicto: –Não vou deixar qualquer porcaria acabar comigo – e isso vinha com acompanhamentos diversos. “Olha o colesterol! Cuidado com a barriga! Você deveria pensar mais na idéia da academia. Isso tem ácido lático…” e mais todas as paranóias que cobriam os cereais integrais, legumes e frutas frescas.
Seu José, ou Zé como era conhecido na vizinhança, potencializava a demência fazendo ginástica e correndo na maratona, evidentemente, da terceira idade. Chegou a ser destaque em colunas esportivas dos jornalecos de bairro por sua “força de vontade”. Nessa ocasião, inclusive, seu senso de saúde confundiu-se com o patriótico e os netos se constrangiam.–Aquele entrando na padaria com a bandeira do Brasil nas costas não é o seu avô?–Hmmm… Sabe como são os horrores da guerra…
Os idosos da rua reuniam-se todas as tardes de domigo para fumar cigarros baratos e fedidos, embriagarem-se com bebidas baratas e fedidas e depois do torneio de cacheta empanturrarem-se com uma macarronada cheia de baratas e fedida. Quando o Seu Zé passava na frente daquela “roda de escarnecedores” com seu short de correr e suas polainas coloridas todos provocavam: “–Vai um golinho aí, Zé?”, “–E uma gordurinha mal passada, vai bem?” Porém, tudo no limite de uma amizade de décadas, ou seja, nenhum.
Mas ele era bem respeitado pela juventude. Especialmente a maconheira. Honravam o Seu Zé e toleravam, com uma paciência singular, todas as suas maluquices. Afinal ele podia ser biruta mas acabava incentivando a todos com seu coração, que era o melhor já visto por todos. Com sentido duplo.
E houve uma fenômeno patológico em que se produziu zona de necrose conseqüente à hipóxia, neste caso por trombos. Seu Zé morreu de infarto. Fulminante. E nem deu tempo de ir para o hospital.
Tempo e acaso. Pode ir em frente. Zele o quanto quiser por algo, ou tente, com todas as suas forças destruí-lo. Esgote-se nas tentativas de controle e, inexoravelmente, amargure-se na sensação de irreversibilidade. Impotência, mediocridade e limitação espacial. Tempo e acaso.



