Archive for Setembro 2006
Duas casas
Duas casas numa mesma rua
Contam histórias
Casas firmes com certeza
Sempre limpas e com comida na mesa
Ruas largas, casas amplas
No lugar de esquecidos
amores mal resolvidos
De quem um dias as habitou
Ali não moraram anjos
Ali ninguém fazia ninguém feliz
Ali se passaram anos
Todos preocupados com o próprio nariz
As casas eram tão belas
E por sua imponência não conheciam vielas
As ruas com seus ladrilhos
Espaço aberto para fugitivos maridos
As casas grandes com e com janelas
Não escondiam os corações partidos
Não escondiam os corações partidos
De quem habitava nelas
Talvez por algum segundo
Ninguém quisesse as belas casas para morar
Mas haveria muito conforto
Em haver bons corações para amar
Escrito ao som de Chopin
Escreva mais umas linhas da minha história,
Não deixe o vento levar as últimas folhas que enfeitam essa viela tão curta
Corre só mais cinco quadras comigo
No fim você verá que tudo teve bem mais valor
Bem mais do que ficar parado à sombra da mediocridade
Três casas são suficientes para se chegar aonde quero
Vire a direita pois é direito ficar comigo agora e sempre
Sempre fui eu seu caminho
Eu escreverei músicas no chão para alegrar sua vida se preciso,
Mesmo que para alegrar sua vida só se necessite de palavras no chão e eu não
Eu longe
Mas escreva minha história mais um pouco pra mim
Te dou tudo
Te dou lápis, pincéis
Tudo do mais caro e caro é você
Que vale mais páginas em branco à espera de um enredo
Que vale mais e mais vale esperar séculos pelo que vai chegar
Pois chegará como os navios que carregavam ouro e madeira nobre
Da terra mais nova, dos melhores exploradores.
E um grito sairá do meu ventre quando você chegar
Como quem tem tudo resolvido há milênios…
E só esperava alguém para escrever e consumar.
