Archive for Agosto 2006
Uma sacada à beira do precipício
Todos as folhas voam em direções opostas
Não há árvores, não há vida
Há um buraco
Único sinal de algo que tenha nome
Mas que importância tem isso?
Há uma menina de olhos firmes
Pele ressecada pelo vento
Há muito ela está ali
Sentindo as folhas misturando-se ao seu cabelo
Em uma sacada à beira do precipício
Ela colocou flores, construiu sonhos
Que se escoam pelos espaços da sacada
Precipício abaixo
Talvez ela saia de lá
Talvez ela fique
Talvez ela vá.
A vista é lúgubre
Nada é fechado
Não há duas paredes que formem uma saída
Há somente uma sacada à beira do precipício
Ela come o vento
Que supre ar à sua esperança
E as vidas são levadas por ele
Tais como as folhas
E nada mais há senão a sacada, folhas que vem e vão
A menina e uma esperança.
