Dia de ficar gripada é assim, de ficar gripada mesmo. Não é dia arrumar o guarda-roupa, não é dia de pensar na sua existência, não se pode trabalhar e ler só mal e porcamente. Dia de ficar gripada é pra ficar deitada, é pra tomar remédio, é pra morrer de tédio e andar pela casa de meia e sem sutiã ouvindo Billie Holiday até dormir. A vasta programação desse dia corre da seguinte forma: tomar remédio tal a tal hora, tomar xarope tal a tal hora, tomar banho, talvez – vem sempre aquele papo que lavar o cabelo faz mal, sair faz mal, tudo faz mal. A verdade é que depois de todas as prescrições maternas você quer mesmo é morrer. Comer frutas e verduras coloridas altera seu estado, mas o dia continua cinza, não adianta nada.
Normalmente não escrevo, aliás, escrevo sim sobre meus dias, mas não com temas tão corriqueiros. O fato é que não tem sobrado muito espaço na minha alma pra poesia ou prosa. Talvez ela esteja gripada também. Ou constipada – falar da alma exige sempre um vocabulário mais apurado, afinal, quando vamos falar de sentimentos e principalmente de sofrimento é necessário sempre elevar o linguajar. Como se aquilo dignificasse e exaltasse o que está sendo exposto. Sabe, os nomes de remédios também são assim: Probenxil, Tegretol, Sinvastatina, Lexapro e outros nomes que só o farmacêutico lembra. As palavras diferentes estão sempre querendo detectar, expôr e curar os sentimentos. Assim como os remédio fazem com doenças.
É realmente, dia de se engripar é assim. Não se faz nada de útil. Comparar poesia com remédios é até uma boa idéia, mas eu não terei sucesso nisso. Não hoje que estou gripada e constipada (??). A única coisa que sei é bem simples: Pra dor no corpo usa-se dipirona, já pra dor de cotovelo….
Aí ta vendo!?
Sem comentários ainda
Nenhum comentário ainda.
Comentários RSS URI identificador do TrackBack
Deixe um comentário
