Archive for Maio 2006
Não é mais uma divagação
Quando não julgavam tempo, ele desapareceu sem deixar bilhetes. Quase que por intermediação divina, apesar do divórcio com o celestial, juntaram-se novamente – na busca sem fim de um sentido – para chorar ou dessa vez rir as magoas e luxações deixadas na vida e na personalidade já fadada à dor desses descamisados moralmente. E de moral se pode falar muito, mas chegaremos à conclusão de que ela pouco fez por eles (quando vinha o desespero dizia o que fazer, mas jamais foi consolo ou sentido).
Não, não nos embrenharemos em mais uma divagação sem rumo. Os desabafos já foram muitos e já foram, já era. A gíria veio substituir a falta das palavras para se dar explicações e nada a ver, isso não é mais uma divagação.
Agosto de 1999
O carro entra em uma rua conhecida, para em frente a um conhecido colégio e ele olha um desconhecido pegando na mão dela. Ciúmes. Fortíssimo. Mal sabia ele que o coração dela não era para ele, nem para eles. Era para ela e para elas. Quente, a cabeça ergueu-se, a voz gritou:
- Vamos embora, já está passada a hora!
E realmente era tarde para usar algum argumento. O antro das possibilidades de sorte já não dispunha de nada.
Agosto de 2005
O carro para em frente ao conhecido aeroporto. A mãe põe a mão sobre a sua. Entrega palavras de conforto. Diz que tudo será diferente agora que o grande desespero já passou.
- Vamos embora, agora tudo é passado.
E realmente tudo já havia passado, mas o antro das possibilidades ainda disporia de alguma sorte.
Quando não julgavam tempo, ele desapareceu sem deixar bilhetes. Quase que por intermediação divina, apesar do divórcio com o celestial, juntara-se novamente – na busca sem fim de um sentido – para chorar ou dessa vez rir as magoas e luxações deixadas na vida e na personalidade já fadada à dor desses descamisados moralmente. E de moral se pode falar muito, mas chegaremos à conclusão de que ela pouco fez por eles (quando vinha o desespero ela dizia o que fazer, mas jamais foi consolo ou sentido).
Quando viram pela primeira vez que os próximos não eram bens duráveis e quando viram que sua própria vida não duraria muito, a sorte dispõe de algo.
E, não, não é mais uma divagação.
E vão…
Vãos no tempo que passa, vendo a vista que embaça
Vãos no tempo, nós no tempo…nós sem jeito
Caem, soltam, pois são mal feitos.
Em vão.
