Archive for Abril 2006
Estou feliz, mas tem um porém…

É esse solzinho morno dos dias frios que matam. É relembrar os dias frios na cidade quente que atrapalham o desabrochar de alguma felicidade. É Someday we’ll Know que levou minha memória para os dias frios novamente com direito a solzinho morno e td.
Quando nós sabíamos mais uma vez que não ia dar certo. Quando a nostalgia transforma-se em patologia e eu imagino se tudo poderia ser diferente uso palavras fáceis, pois não há muita complexidade em não ser desfrutado, em não ser vivido. É simples como uma dia de solzinho morno em que todos querem acomodação, nenhuma aventura, somente nostalgia, um cobertor e alguém para dividir um sono Domingo à tarde, mas só isso. Mas eu estou feliz…
Dori
De tudo que era novo e agora está embaixo de todos os papéis velhos e livros e quaisquer outras coisas inúteis que invadem as prateleiras do meu guarda-roupa e minha memória – que como ele está bagunçada, organizando-se aos poucos – ficou um sentimento de pegar todos os ítens, revisar utilidades, arquivar, dar a quem precisa, ou simplesmente jogar tudo fora como aquele ar de, espaço vale mais que memória, nostalgia vale menos que superação, no entanto superar parece opaco quando o que foi baldado está consumado em nome do pai do filho, etc e amém. O que está por vir não satisfaz, e insatisfação – o sentimento de todas as minhas memórias – traz uma vontade de ficar por aqui, salvar esse documento no bloco de notas mesmo e o texto acabou (minha vida é assim, Porto Seguro* que o diga).
Paro, corro, penso – a sombra da mediocridade (que em bom português europeu quer dizer: classificação entre o mau e o suficiente) vem em minha direção. Há um certo desespero em não progredir de certa forma.
Há uma nuvem de lágrimas sobre meus olhos no simples pensar ser médio, comum, vulgar, ordinário. Algo precisa ser feito – comungar com os pós-modernos, abrir a mente para novas idéias, experimentar ” todas as cores do amor ” e nem posso saber saber se de tudo isso quero algo e realmente o mundo é menos imprevisível que eu, mas algo é certo, algo não está errado como eu julgo tudo estar a todo momento: Caiam fora os quadrados.
Quero mijar na cara de quem acha que tudo é um ciclo.
Venham os triângulos amorosos e se virar apenas uma reta não reclamem (nunca disse que ia aceitar tudo).
Corram para luz (morram) os desajeitados, mentirosos da vida e os xiitas.
Viverei os meus dias com lapsos de memória, como peixe em aceano. Sem memória. Acabou a loucura. Adeus Carol, Adeus Beto. Venha insanidade.
* Porto Seguro foi a clínica protegida em que fiquei por alguns dias neste mesmo período do ano passado. O que pode explicar esse texto.