SERAINE

A Seraine faz músicas, fotos, estuda jornalismo e insiste nessa história de blog.

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DoEu

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 De todas as pessoas do mundo a que eu mais adoro sou eu, já a que eu mais odeio sou eu. Eu sou a única que pode me controlar, mas quando me descontrolo só eu pra me consolar. E quando eu falo mal de alguém então? Fico péssima. Então eu venho e falo dos meus sistemas de convivência e até moral. Nada como eu pra me apartar de mim.
Quando minha vó morreu eu fui ao enterro, mas eu fiquei em casa. Há um ano não a via, mas no interro eu a vi. Quando minha sobrinha nasceu eu estava lá no hospital e no mesmo dia em Curitiba eu ia ao meu apartamento arrumar meu guarda-roupa. Meus sistemas não falham.
Atrás do Palácio do planalto eu vi uns casais, atrás do prédio eu fumava cigarrilhas doces e charutos, mas ao mesmo tempo eu ouvia Chopin no domingo a tarde.
Eu morri no dia em que nasci, já eu só vivo quando morro. Agora a vida chegará para mim, já eu quero mais uma vez viver.
Eu vivo morrendo, já eu estou nascendo.
Eu vi alguém ali!? Ah eu não vi…

Escrito por Gabrielle Seraine

Agosto 25, 2005 em 3:35 pm

Publicado em Poesia