Acabou a brincadeira!
Não, eu não sou um lego ou a casa da Barbie, não estou em videogames e nem faço parte do The Sims, eu não sou uma brincadeira. Eu tenho ossos e dele me sustento, eu tenho massa encefálica que rege meu corpo e mais do que tudo isso eu tenho um sopro de vida que já dura vinte anos, capaz de destruir todos os brinquedos. Eu tenho conhecimento adquirido, dores que já forma inquiridas tantas vezes. Não, eu não estou brincando, brinquei de Barbie até os doze, mas desde então todas as brincadeiras acabaram. Agora ficou sério, agora é definitivo. A ocupação é outra. Já não é mais em quantos filhos ela e o Quen terão, mas em quantos eu já perdi. Os romances criados e os acidentes forjados agora doem muito e o vazio da casa, como quando as crianças vão tomar banho, também. Todos os momentos que passam já não voltam mais como amigos amanhã para continuar a história ou montar todo aquele aparato para desmontar em seguida valendo só a intenção. Agora o que é montado fica e corrói. As guerras não se resolvem com um grito de hora do almoço, elas ficam e matam. Chega de estrelinhas no teto provocando a ilusão de um mundo paralelo, chega de babás tolas e sem instrução para educar. Acabou a primeira infância e a segunda e a terceira e a eterna. O reino só virá para quem é como criança, porém se não sairmos da infância ele só vai ficar com elas. E que elas sejam o eterno nós em inocência, sem o reino da aparência com sua fuselagem fraca, e que todas as resoluções para as nossas “definitividades” venham com um bom momento de sono no meio da tarde. Sem o auxílio do lexotan.